Author Archives: Eduardo Deboni

Igreja

PORTUGAL-117

Eu não gosto de padre
Eu não gosto de madre
Eu não gosto de frei.
Eu não gosto de bispo
Eu não gosto de Cristo
Eu não digo amém.
Eu não monto presépio
Eu não gosto do vigário
Nem da missa das seis.
Não! Não!
Eu não gosto do terço
Eu não gosto do berço
De Jesus de Belém.
Eu não gosto do papa
Eu não creio na graça
Do milagre de Deus.
Eu não gosto da igreja
Eu não entro na igreja
Não tenho religião.
Não!
Não! Não gosto! Eu não gosto!
Não! Não gosto! Eu não gosto!
(Titãs)

A Importância de Filosofar sobre a Fotografia

Aquário de Lisboa

O filósofo tcheco, naturalizado brasileiro, Vilém Flusser (1920-1991) considera a invenção da fotografia tão importante quando a invenção da escrita. Se a escrita revolucionou a humanidade e marcou o início do período histórico, a fotografia, e sua nova forma de codificação e simbolização das informações, marca a pós-história, com desdobramentos igualmente revolucionários, reveladores e modificadores da humanidade. Ele já vislumbrava que a capacidade mágica de uma imagem fotográfica poderia destruir a característica unidimensional, linear, dos textos. Não apenas as fotografias mas também os vídeos e demais mídias eletrônicas são co-responsáveis por essa revolução pós-histórica.

Temos sido testemunhas vivas que, nos últimos anos, as imagens tem deixado de ser meras ilustrações de textos, para se tornarem os protagonistas dos meios de comunicação. Elas submeteram os textos a um papel complementar e secundário. Fenômeno este potencializado por dois aspectos importantes, intimamente associados à fotografia: a facilidade de uso e disponibilidade do aparelho fotográfico e a capacidade de distribuição e acesso à informação fotográfica.

Os aparelhos fotográficos estão nas mãos de todos, e todos os olhares se voltam para a sua tela. Os aparelhos evoluem e são programados para facilitar as fotos, dando uma impressão, perigosamente falsa, de que um grande poder é dado ao fotógrafo. Este, por sua vez, troca as suas decisões pessoais pelas decisões pré-programadas dos aparelhos. Quem passa então a controlar a fotografia é o aparelho e não mais o fotógrafo. Submisso ao controle do aparelho , ele se torna um mero apertador de botão (ou seu equivalente) deixando ao aparelho a decisão de produzir e até de distribuir, também automaticamente, a fotografia. O fotógrafo, ou será seu aparelho, é mais reconhecido pela sua produtividade e pela amplitude da distribuição, do que pela sua qualidade e arte.

Nesta realidade distorcida das fotografias automatizadas, nos vemos frente a um novo mito da caverna, onde desconhecemos e desprezamos outra verdade que não seja aquela revelada pelo aparelho fotográfico. A realidade só existe se for fotografada. Somos funcionários dos meios de distribuição e da sua visão política. Abandonamos nosso próprio ponto de vista para aceitar o ponto de vista do aparelho e do meio de distribuição. O fotógrafo, programado pelo aparelho e pelo meio, é funcionário e escravo de ambos. O sucesso da fotografia é ao mesmo tempo o seu fim.

Conquistar esta consciência é o primeiro passo para nossa liberdade. Este é a finalidade deste artigo. Incentivar a fuga e subversão dos meios convencionados é o único modo de retomarmos o controle da fotografia. Neste momento, devemos discutir, discordar e filosofar. Estes são os caminhos da liberdade. Flusser reconhece que nunca uma filosofia para a fotografia foi tão necessária, como meio para reassumirmos a responsabilidade e o controle da produção fotográfica.

Que as fotografias passem a descrever a real intensão do fotógrafo, que nelas ele imponha seu próprio ponto de vista politico e social, e que ele encontre meios que permitam essa expressão, como esta revista. Meios onde a única política seja a da liberdade, e o único requisito exigido para divulgação seja o da qualidade artística. Onde a pré-programação do aparelho seja exposta e transfigurada pelo artista.

Subverter regras, jogar contra o aparelho e contra as políticas estabelecidas. Assumir o controle e ousar. Estes fotógrafos serão os modelos dos homens livres do futuro.

Vilém Flusser: Filosofia da caixa preta: ensaios para uma futura filosofia da fotografia. Vol. 1. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1985.

Towards a Philosophy of PhotographyTowards a Philosophy of Photography by Vilém Flusser
My rating: 5 of 5 stars

The Czech philosopher, naturalized Brazilian, Vilém Flusser (1920-1991) considers the invention of photography as important as the invention of writing. While writing revolutionized humanity and marked the beginning of the historical period, photography, and its new coding and symbolization of the information, make the post-history, with equally revolutionary developments, developers and modifiers of humanity. He has glimpsed the magical ability of a photographic image could destroy the one-dimensional feature, linear, of the texts. Not only photos but also videos and other electronic media are co-responsible for this post-historical revolution. We have been living witnesses that, in recent years, images have ceased to be mere text illustrations, to become the protagonists of the media. They submitted the texts to a supplementary or secondary role. This phenomenon enhanced by two important aspects, closely linked to the photo: ease of use and availability of the photographic apparatus and distribution capacity and access to the photographic information. These ideas are explored in great detail in the book that I find extremely interesting to read and think about. Highly recomended.

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Deus, um delírio.

MARYLAND-110

Este é um livro que defende o ateísmo. O tema é muito interessante e os argumentos são convincentes, completos e bem organizados. Não vou discuti-los, nem argumentar contra até porque concordo com a grande maioria. Vou comentar sobre o estilo, que sinceramente gostei. O texto desenvolve uma linha de pensamento bem clara e organizada, o que é ótimo, mas o autor insiste em fazer comentário paralelos, comentários jocosos e sarcásticos que afastam o leitor. Se o autor escreve como fala deve ser uma pessoa bem aborrecida e pedante. No áudio-book optou-se pela leitura em conjunto do autor e sua esposa, em uma troca constante de voz que mais parece um jogral improvisado e desajeitado. Apesar de tudo, isso o livro é bom e vale a pena ser lido, especialmente para quem quer questionar e avaliar de forma crítica o papel e a influência da religião nas nossas vida.

The God DelusionThe God Delusion by Richard Dawkins
My rating: 3 of 5 stars

This is a book about understanding atheism. The theme itself is very interesting and the arguments are convincing, complete and well organized. I will not discuss the, nor I will argue against because I agree with most of them. I will comment on the style, which frankly I did not like. The text develops a clear and organized way of thinking, which is great, but the author insists on side comments, he gives humorous and sarcastic comments that keep the reader away from the line of thought. If the author writes as he speaks, he be a pretty boring and pedantic person. In the audio-book was chosen a style of reading together the author and his wife, in a constant exchange of voice that looks like a makeshift and clumsy buffoon. Despite all this, the book is good and worth reading, especially for those who want to question and to critically assess the role and influence of religion in our lives.

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10 Bons filmes que assisti em 2014/2015

10 bons filmes que eu assisti nos últimos meses, em nenhuma ordem em particular. Ficção científica, alguns documentários e muita diversão.


Jodorowsky´s Dune (2013)
Um documentário sobre o melhor filme que nunca foi realizado. Isso mesmo, um filme fantástico, mas que nunca saiu do papel, um filme de ficção científica baseado no livro Duna, que nunca foi produzido mas que pode influenciar a indústria e definir padrões de filmes de ficção científica até hoje. Veja as ideias geniais do diretor e tudo o que aconteceu. Interessante até pra imaginar como seria o mundo do cinema se esse filme tivesse sido feito.


Tim´s Vermeer (2014)
Vermeer é um gênio da pintura barroca holandesa. Especializado em pinturas de interiores suas imagens e cores tem uma assinatura que até um leigo (como eu) sabe que se trata de um Verneer. Um rico empresário americano tenta desvendar como Vermer conseguia produzir as cores e imagens tão precisas, e que talvez ele seria, na verdade, um gee, mais um técnico do que só um grande artista. Você concorda com ele?


Ex-Machina (2015)
Se você é da área de computação deve conhecer o teste de Turing onde um usuário deve descobrir, por interações com um sistema, se ele está conversando com um computador ou um ser humano. Se ele não souber diferenciar o programa tem a chamada “inteligência artificial”. Imagine levar este teste às últimas consequências, veja o filme e descubra o que pode acontecer.


Chappie (2015)
O que acontece se você colocar um robô no meio de uma gangue? O visual deste filme é bem interessante também. Você pode não acreditar que o casal do filme não estava atuando, eles são assim mesmo!


Focus (2015)
Não tente adivinhar o que vai acontecer neste filme. Você não vai acertar. Surpresas, apostas, perdedores e o espectador é o grande vencedor.


Wild Tales (2014)
Um dos melhores filmes que eu vi há tempos. Históricas conectadas por um sentimento: ódio. E o pior é argentino (shit!)


Begin Again (2014)
Quem não gosta de uma comédia romântica que mistura música e uma garota sonhadora? A cena dos instrumentos tocando sozinhos e montando um arranjo é genial.


Lucy (2014)
Scarlett Johansson, computação, ficção científica, inteligência artificial. precisa dizer mais?


The Grand Budapest Hotel (2014)
Mais um filme genial do diretor Wes Anderson, inspirado no texto de Stefan Zweig, sobre as histórias curiosas em um hotel fantático.

Wallpapers para 2016

mosaic2016

Faça AQUI O DOWNLOAD de imagens de 2016 para servirem de fundo de tela para o seu computador. O tema deste ano foi a cidade de Sâo Paulo, com a maioria das fotosda Fátima.
Um ótimo 2016 para todos!
Fátima e Eduardo.

Wallpaper de 2015
Wallpaper de 2014
Wallpaper de 2013
Wallpaper de 2012
Wallpaper de 2011
Wallpaper de 2010
Wallpaper de 2009

Noites Tropicais

RIO by José Eduardo Deboni on 500px.com

Noites Tropicais: Solos, Improvisos e Memórias MusicaisNoites Tropicais: Solos, Improvisos e Memórias Musicais by Nelson Motta
My rating: 5 of 5 stars

Noites Tropicais nos conta os bastidores da música brasileira entre os anos 60, 70 e 80, narrado pelas memórias de Nelson Motta. Ele é produtor musical, crítico e letrista de sucessos como O Cantador de Elis, Como uma Onda e Tesouros da Juventude do Lulu Santos, Bem que se quis de Marisa Monte, Coisas do Brasil de Guilherme Arantes e Dancing Days e Perigosa das Frenéticas entre tantos outros. Conviveu intimamente com João Gilberto, Tim Maia, Elis, Caetano, Chico e tantos outros. Um texto ágil, agradável, honesto e altamente recomendado pra quem quer entender, ou como eu reviver, um pouco da história do Brasil e sua música popular.

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Minha Playlist das Música de Nelson Motta

Algumas músicas compostas por Nelson Motta e citadas no livro:

Feito para os Fans

KÀ - Cirque du Soleil by José Eduardo Deboni on 500px.com

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You're Never Weird on the Internet (Almost)You’re Never Weird on the Internet by Felicia Day
My rating: 4 of 5 stars

This book is for Felicia Day fans, like myself. If you do not know her, you may not like it so much. It is a book about geeks, it’s feared and typical way of thinking. The narrative is personal and very revealing of her thoughts and personality. I like the book, but I know it is not for everyone.

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Este livro é para os fãs de Felicia Day, como eu. Se você não a conhece, pode ser que você não goste muito. É um livro sobre geeks, seus medos e sua forma típica de pensar. A narrativa é pessoal e muito reveladora de seus pensamentos e personalidade. Eu gosto do livro, mas eu sei que não é para todo mundo. Para quem não a conhece, segue um vídeo de promoção da sua série de internet: The guild.
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Resenha de Armada: A Novel

Super Moon by José Eduardo Deboni on 500px.com

Outro bom romance de Ernest Cline o autor do best-seller Jogador Número Um. É difícil comentar este livro sem passar spoilers. Mas posso dizer que se você gosta de ficção científica como Star Trek ou Star Wars e de invasões alienígenas e vídeo games que você vai gostar deste livro. O futuro próximo que o livro descreve pode ser discutível, mas ele suporta uma grande história e um final adequado. Uma coisa que eu não gosto é que, embora o autor termine o livro adequadamente, ele deixou algumas opções para sequências futuras de uma saga, e eu não gosto de sagas. Mas, definitivamente, vale a pena a leitura.

ArmadaArmada by Ernest Cline
My rating: 5 of 5 stars

Another good novel from Ernest Cline the author of the best seller Ready Player One. It´s hard to comment this book without giving out spoilers. But I can say that if you like Star Trek or Star War, some alien invasions you are going to like this one. The future the book describes can be debatable but it supports a great story and a proper end. One think I do not like is that although the author do end the book, he left some options for future sequences of a saga, and I don’t like sagas. But it’s definitely a book worth reading. Totally recommended.

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Review do Sputnik Sweetheart de Haruki Murakami

National Air and Space Museum by José Eduardo Deboni on 500px.com

Alguns livros você gosta e nem sabe porque. São aqueles que conseguem chegar no fundo dos seus sentimentos, e dar voz a coisas que sozinho você não conseguiria descrever. Acho que é por isso que eu gosto dos livros do Haruki Murakami e, especialmente, deste.

Sputnik Sweetheart trata de amores impossíveis. Aqueles que de tão arrebatadores e improváveis você só pode se resignar e sobrevivê-los. O narrador e protagonista de tão perdido no seu amor, perde até a necessidade de ter um nome. Seu amor por Sumire (Violeta em japonês) e dela por uma outra mulher, os leva às aventuras que formam a narrativa princiapl do livro, mas que só servem para dar ambiente à verdadeira história que corre nos bastidores. Até o nome do livro guarda uma boa tradução para este tipo de amor. Spunik que quer dizer companheiro de viagem em russo, mas é o nome de um satélite, uma estrela artificial. E o que é um amor platônico senão algo lindo, querido e distante que não se consegue alcançar.

O livro ainda guarda outras características típicas dos textos de Murakami, como a referência às músicas clássicaa, um pouco de fantasia e aquela angústia já tradicional. Ele é mais um bom exemplo da boa obra deste fantástico autor. Uma leitura obrigatória para quem já é fã, e um bom começo pra quem ainda não é.

Sputnik SweetheartSputnik Sweetheart by Haruki Murakami
My rating: 5 of 5 stars

Some books you like and do not even know why. They are the ones who play with some feelings at the botton of yourself, and give voice to things that alone you could not describe. While being recognized in the history is when the reader is conquered. I think that’s why I like Haruki Murakami’s books, and especially this one. Sputnik Sweetheart comes with impossible loves. Those who are so sweeping and impossible that you can only resign and live them. The narrator and co main protagonist is so lost in your love, that he loses his own name. His love for his long lasting friend Sumire (Violet in Japanese) that is in love with another woman leads to the many adventures that are described in the book. The book’s name keeps a good translation for this kind of love: Sputnik means traveling companion in Russian, and what a platonic love is but a beloved companion on the journey of life. The book still holds other features typical of Murakami´s novel: as the reference to classical works, a little fantasy and the traditional distress It is another good example of the excelent work of this author. A must-read for anyone who is already a fan, and a good start for those who are not yet.

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O Irmão Alemão : comentários

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Prédio Banespa by José Eduardo Deboni on 500px.com


O Irmão AlemãoO Irmão Alemão by Chico Buarque
My rating: 3 of 5 stars

(pt) Do Chico eu já tinha lido BUDAPESTE e gostado muito. Talvez minhas expectativas estivessem muito altas, mas não gostei deste livro. A leitura é boa e o texto que não é tão fácil agrada, já a história não. Há uma certa desconstrução dos personagens da época da ditadura, o militante vira um “mulhertante” já que o seu maior interesse se encontra no sexo oposto. A descrição do pai e da família do Chico é boa, mas depois a narrativa me perdeu, tanto que demorei para acabar um livro relativamente curto.

(en) From Chico I had read BUDAPEST and liked it very much. Maybe my expectations were too high, but I didn´t like this book. Reading is good and the text, that is not so easy, has pleased me, althogh the story did not. There is a certain deconstruction of the characters during the Brazilian dictatorship, the militant becomes a “ladies man” as their greatest interest lies in the opposite sex. His father and the Chico’s family description is good, but after that the story lost me, so much that it took time me to finish a relatively short book.

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