Procura por Temas de Pesquisa: Métodos Ágeis

Um questão recorrente entre os alunos de mestrado é a busca do tema para sua pesquisa. Em geral, este tema deve atender ao interesse de 3 envolvidos: o orientador, o aluno e a comunidade. Quanto maior for o interesse para estes 3 envolvidos, mais facilmente se conduz a pesquisa, quanto mais conflitante forem estes interesses, maior o risco da pesquisa não ser conduzida adequadamente. Pessoalmente, como orientador, eu considero o trabalho de mestrado um trabalho do aluno, ainda que eu possa dar um apoio maior para um tema do que para outro, que meu intesse pessoal possa ser maior, a seleção do trabalho é do aluno, que é aceito para ser orientado por mim, havendo, neste momento um intesse comum entre nós dois. Basta então, que o tema escolhido atenda o interesse da comunidade, um ponto importante para o sucesso de uma pesquisa. Recentemente, encontrei um artigo [1] interessante sobre a escolha do tema, que me inspirou a escrever este artigo.

Há luz no fim do túnel

O aluno tem interesses pessoais e profissionais que influenciam na seleção do tema de pesquisa. Os interesses profissionais podem ser benéficos se refletirem interesses reais da comunidade. É mais comum que os interesses dos alunos reflitam interesses momentâneos, motivados por situações contextuais da empresa onde ele trabalha. Nem sempre são temas representivos de um grupo maior, mas apenas de uma indústria específica, ou de um contexto particular daquela indústria específica. Como parte da formação de um pesquisador, o aluno deve estar aberto a procurar o seu tema em outras áreas fora da sua área de conforto, ousar nas propostas e aceitar os desafios que esta ousadia irá trazer, para colher os frutos de um bom trabalho de pesquisa. Olhar um problema pontual com um ponto de vista mais amplo pode ser a solução.

O orientador, por sua vez, também tem interesses pessoais e profissionais. Ele deve ter suas linhas de pesquisa, alinhadas com o seu campo de atuação profissional no caso do mestrado profissional. Nestas áreas o orientador, certamente, poderá dar uma contribuição maior ao trabalho do aluno. Pessoalmente não imponho temas para os alunos, uma vez que fazendo isso, tiro parte da responsabilidade do aluno sobre o tema que vai escolher. Por outro lado, não vejo nada errado em orientadores que impõem certos temas aos alunos, uma vez que uma pesquisa isolada leva a resultados modestos, e que apenas um esforço concentrado, por um período de tempo relativamente longo, realizado por vários trabalhos individuais pode produzir um resultado final de valor significativamente maior.

A comunidade, representada pelos interessados finais nos resultados da pesquisa, também pode e deve influenciar na escolha dos tema de pesquisa na área acadêmica. Essa influência se dá, por exemplo, pela existência de outros trabalhos publicados que refletem e relatam dificuldades e limitações relacionadas a um determinado problemas, ou descrevem desafios, desejos, perocupações ou até mesmo, em muitos casos, fomentando pesquisas específicas na academia. Uma medida do interesse da comunidade em um determinado assunto é o número de citações, que este assunto tem nas publicações na área. Temas com poucas publicações são temas de pequeno interesse, ou que chegaram a situações estáveis ou consensuais.

Umas das minhas áreas de interesse são os métodos de desenvolvimento de software, e em especial os métodos ágeis. Nesta área um trabalho recente listou os dez temas mais “quentes” segundo os participantes de um congresso nesta área [1]. A técnica usada para o levantamento desta lista afixada no congresso (kamban) coerente com os métodos ágeis: com os participantes do congresso sendo estimulados pelas pequisadoras a listar e votar, em um modo bem ágil, quais os temas que gostaria de que a academia pesquisasse.

Os 10 temas que receberam a maior quantidade de votos foram (itens marcados com “*” foram resumidos):

  • A Agilidade e os grandes projetos (7);
  • Que fatores podem quebrar a auto-organização? (6);
  • As equipes precisam realmente se encontrar para colaborar efetivamente?* (6)
  • Arquitetura de agilidade – quanto de projeto é suficiente para as diferentes classes de problema?* (6)
  • Fatores importantes na distribuição de custos (5)
  • A correlação entre o tamanho da release e a taxa de sucesso (5)
  • Qual a métrica que pode ser usada com um mínimo de efeito colateral? (5)
  • Agilidade distribuida e confiança – o que acontece entre 8 e 12 semanas?* (4)
  • Estatísticas e dados sobre quanto de dinheiro e tempo são economizados com a agilidade (4)
  • Estudos sociológios – quais são as personalidades em equipes ágeis de sucesso/fracasso? * (4)
  • Da lista, fica claro que a comunidade procura respostas para perguntas complexas e interligadas. Não houve um vencedor único, e muitas das perguntas refletem um questionamento sobre como aplicar os princípios em problemas reais, mais do que como adaptar a realidade ao mundo ágil. Os projetos são grandes, as equipes são distribuidas e os custos são relevantes, como lidar com eles? As pessoas possuem personalidades e as relações são baseadas em confiança, como relfetir esse fato nas equipes ágeis. Cabe a nós da academia aceitar o desafio de buscar as respostas para estas questões.

    [1] Freudenberg,S. e Sharp, H. The Top 10 Burning Research Questions from Practitioners. IEEE Software. Set/Out 2010.

    One comment

  • Robison Souza
    April 18, 2011 - 8:29 pm | Permalink

    Muito interessante, me identifiquei com a questão do aluno sempre procurar temas relacinado ao seu cotidiano mais próximo, principalmente ligado a empresa ou ramo que atua. Não cheguei a fazer um mestrado, mas tanto na graduãção (tcc), quanto na pós no MBA que fiz procurei temas mais próximos do meu cotidiano, mesmo que subconcientemente, garantindo minha zona de conforto. Meu próximo desafio provavelmente será um mestrado, ainda não sei em qual área, mas certamente me lembrarei deste artigo.
    Grande Abraço
    Robison

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