Mestrado ou Certificação?

O que é melhor para um profissional: fazer um mestrado ou obter uma certificação de uma empresa ou entidade? Como Doutor em Engenharia e professor de um mestrado em Engenharia da Computação, sem ter nenhuma certificação na área, minha resposta mais fácil seria defender o Mestrado e atacar as certificações. Mas não vou fazer isso simplesmente porque não acredito que haja uma resposta simples para esta pergunta. Sem dúvida a resposta é: depende. Depende dos objetivos profissionais, dos objetivos pessoais, do momento econômico e da posição da Lua em relação ao casa de sagitário. Minha intensão aqui é levantar prós e contras das duas iniciativas para ajudar o leitor em uma opção mais esclarecida.

 

Monumento HDR

Mestrado

O Mestrado é um título acadêmico que pode ser conferido por Universidades e algumas outras instituições, em nível de pós-graduação, após o candidato cumprir algumascertas exigências., que Em geral, elas se compõem de uma carga horária de disciplinas (obrigatórias e eletivas) e após da produção e apresentação de uma dissertação de mestrado para uma banca de três professores doutores. O que se objetiva avaliar é a capacidade do aluno em produzir e apresentar um trabalho de pesquisa, com rigor metodológico próximo ao que se chama de estado da arte, em uma área bem específica (restrita) de pesquisa. Por isso este tipo de curso se chama de stricto-senso (sentido restrito) em contrapartida aos cursos de extensão ou lato-sensu (sentido amplo), que tem por objetivo ampliar o conhecimento do aluno em várias áreas. O Mestrado é considerado a porta de entrada para a área acadêmica e valorizado por faculdades e universidades como requisitos básicos para compor seus quadros docentes. É a porta de entrada porque do Mestrado se parte para o Doutorado, onde se forma um pesquisador por excelência. O Doutorado é reconhecido por agências de fomento a pesquisa como requisito fundamental para se obter verbas e compor os grupos de pesquisa.

Do Mestrado, por meio do seu orientados , se deveria exigir mais rigor metodológico do que inovação. Porém, muitas áreas, entre elas a computação, busca-se alguma inovação dos mestrandos nas suas dissertações; muitas vezes em detrimento ao rigor acadêmico da pesquisa. Dos Mestrados classificados como profissionais, exige-se uma aplicabilidade prática da pesquisa, muitas vezes ausente da pesquisa puramente acadêmica.

Alguns mitos, porém, precisam ser desfeitos sobre o Mestrado. As universidades e faculdades não precisam contratar somente Mestres, basta se ter um curso superior para se qualificar para ser professor do 3o grau, no entanto os órgãos de reconhecimento exigem um número mínimo de mestres no quadro e por isso eles são procurados. O maior desafio no mestrado, sem sobra de dúvida, não são as disciplinas nem a carga horária, mas é escrever a dissertação. Principalmente porque não estamos acostumados a escrever de maneira geral e, especialmente, não estamos treinados a escrever “cientificamente”. Da concepção de um projeto de pesquisa, à leitura e organização das referências bibliográficas, à elaboração de experimentos e estudos, para a análise e conclusão é, geralmente, a primeira vez que o aluno encara este desafio. São poucos os que tiveram alguma iniciação científica na graduação e muitos são os desistem nesta fase, ou descobrem, que não tem o perfil para esta atividade. Vencer este desafio é talvez o maior legado de um mestrado, uma vez que desenvolve no aluno um espírito crítico e investigativo, estimula o autodidatismo e o crescimento pessoal. O desenvolvimento da expressão escrita é um legado importante e algumas vezes subvalorizado. Saber escrever bem é saber se expressar com clareza, especialmente importante em cargos de liderança.

A minha estatística pessoal, que infelizmente é confirmada com outros colegas, mais de 50% dos alunos que iniciam um programa de orientação (que já passaram pelas disciplinas) desistem ou não conseguem concluir o projeto de mestrado no prazo. Não conheço estudos conclusivos sobre a correlação entre o sucesso profissional e a formação acadêmica, mas a maioria dos alunos que concluiriam o mestrado obtiveram sucesso em carreiras acadêmicas ou profissionais. Nenhum dos meus orientandos, entretanto, seguiu para o Doutorado ainda.

O mercado de trabalho não reconhece o Mestre como um título importante e que poderia trazer um diferencial para a empresa. São poucas as empresas que valorizam ou premiam um funcionário por ele ter obtido o título de Mestre. Isso pode até contar negativamente em uma avaliação, feitas muitas vezes por não mestres, considerando que o candidato é muito acadêmico, ou que é super-qualificado para o cargo. O Mestrado conta positivamente no caso do profissional ser autônomo ou prestar serviços de consultoria, em especial se a sua área de pesquisa for próxima do serviço que oferece. Consultores são, inúmeras vezes, confundidos com professores uma vez que tem como parte da sua função a de instruir e promover o crescimento das pessoas e organizações. Neste caso manter uma ponte entre a área acadêmica e a atividade de consultoria pode beneficiar as duas carreiras. Pessoalmente tenho procurado trilhar este caminho e o fato de ter uma formação acadêmica mais forte se traduz em uma imagem positiva para as empresas onde prestei serviços. Poderia ter projetado esta mesma imagem se tivesse uma Certificação importante? Provavelmente sim.

Certificação

A Certificação é uma forma que algumas áreas do mercado encontraram para suprir deficiências de formação em assuntos ou temas muito específicos, que a academia não teve a agilidade necessária para responder às demandas do mercado. A Certificação é um título conferido por uma empresa ou instituição para profissionais que cumprem um conjunto de exigências onde em geral se inclui uma avaliação. As certificações não tem um reconhecimento acadêmico mas podem ter um reconhecimento por órgão oficiais e governamentais, como:
PMP – Project Management Professional
OCP – Oracle Certified Professional
MCP – Microsoft Certified Professional


Se uma empresa usa produtos de um determinado fornecedor de hardware ou software, reconhece nele uma autoridade para avaliar os profissionais que vão trabalhar com seus produtos de hardware ou software, assim a empresa pode buscar profissionais certificados para contratar. Como os profissionais certificados são mais escassos, que os não certificados, são mais procurados e por terem a certificação devem ter melhores remunerações. Algumas empresas podem até exigir, para efeito de garantia ou suporte na operação, que apenas profissionais certificados estejam aptos a operar ou usar determinado produto, muitas vezes em função da complexidade ou como uma garantia da qualidade do serviço oferecido. Ainda que faça sentido do ponto de vista técnico, a certificação pode muitas vezes se tornar apenas uma fonte de renda para instituições certificadoras, que sem encontrar empresas que as reconheçam como autoridades em uma área do conhecimento, vendem certificações para profissionais mal informados. Uma certificação é tão boa quanto o mercado reconhece o valor da entidade certificadora. Há certificações que valem para empresas e a regra é a mesma, se o mercado reconhecer o valor da certificação ela será valiosa.

Uma característica importante das certificações é o seu caráter temporário. Um vez que os produtos são atualizados frequentemente, assim as certificações devem ser renovadas e atualizadas com a mesma frequência. Isso torna um processo as vezes caro se o profissional não tiver a garantia do benefício que a certificação irá trazer. Pode-se dizer que com o tempo, alguns aspectos da certificação passam a ser incorporados aos currículos dos profissionais e por isso deixam de ser tão valiosas, uma vez que muitos profissionais da área já dominam aquele conhecimento.

Conclusão

Se você pretende fazer o Mestrado agora estará mais consciente do desafio. Se pretende tirar uma Certificação escolha aquelas que vão fazer diferença. A escolha entre uma ou outra, vai depender dos objetivos de curto e médio prazo, da disponibilidade e principalmente do perfil pessoal. Assim vai ser difícil dizer para um engenheiro se vale mais a pena fazer um mestrado em administração ou se certificar como um PMP. Vale a pena avaliar o que o mercado de trabalho está valorizando no momento e traçar um plano estratégico pessoal que pode ou não passar pela provação de um mestrado.

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